Dias atrás, peguei-me pensando em um
presente que ganhei quando tinha por volta de 10 anos de idade. Foi um radinho
de pilha, que me acompanhou por muito tempo. Escutei centenas de jogos do Vasco
─ sim, centenas: a TV ainda não se pretendia tão onipresente ─ por intermédio do
pequeno artefato azul, de cuja marca não me lembro ao certo. Parceiro de
derrotas pungentes, empates de toda sorte e vitórias redentoras, esse rádio me
fez amigo íntimo do Garotinho José Carlos Araújo, do Apolinho Washington
Rodrigues, do mestre Luiz Mendes e de tantas outras feras do jornalismo
esportivo, alegrando-me as longas e inolvidáveis tardes de “Enquanto a Bola Não Rola” e as serenas noites de “Panorama Esportivo”. Não poderia ter havido para mim
jeito melhor de entreter o fim da infância e o avanço da adolescência. Expresso
a minha mais profunda e terna gratidão à pessoa especialíssima que me deu esse
radinho de pilha azul, e aqui começa a parte mais importante deste texto.
Foi minha avó Wanilda que me deu o
pequeno rádio, e não consigo evitar, neste momento, que as lágrimas inundem o
teclado do computador. Minha ovó,
como eu costumava chamá-la, faleceu anteontem à noite, em casa. Não deu tempo
de eu contar a ela o pensamento que tive sobre um dos mais singelos e bonitos
presentes que já recebi. Com sua sabedoria simples e seu amor incondicional à
família, Wanilda teve a sensibilidade de perceber que o neto estava começando a
se interessar muito pelas partidas de futebol. Então, com o magro dinheirinho
da pensão de meu avô, empreendeu a sublime e generosa iniciativa.
Não
pude, ovó, dizer-te isso, e me
martirizo pela falha. Tento repará-la agora com este texto. Saiba que, a cada
jogo do Vasco, meus gritos de gol reverberarão até chegarem aí a você, na forma
de um beijo.
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